Sou como um trator, dizem.
Se não estiver sorrindo, a minha cara passa naturalmente uma imagem ruim de mim: emburrada, bossal, chata, abusada.
Sou assim: cética muitas vezes, racional, observadora, grossa, insensível. Sou difícil de ter, atingir, inalcansável, independente demais e arrogante. Eu sou realmente como um trator; passo por cima de tudo, tudinho. Se você me pedir, e quantas vezes precisar; sirvo para trabalhos pesados. Limpar sujeirinha é besteira. Sou forte; mesmo fraca, eu sou forte, pra você poder ser forte também.
Mas eu não me acho um trator, não. Na maioria das vezes, não. Eu sou é sensível demais, melindrada demais, chorona, frágil, carente e tenho pavor de dor, médicos e hospitais. E me cobri dessa imagem, que é pra ninguém me ferir. E se eu me ferir, só eu que sei, aí parece que eu nunca me firo. É por isso que eu tô sempre sorrindo, apesar de tudo.
E eu ataco pra me defender, e sou toda desconfiada. Foi assim que a vida me fez.
Mas quem sabe, sabe que eu sou um amor.
Mas quem sabe?
Cheguei aqui por acaso e estou encantada. Eu não me diria melhor que isso.
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