Eu gostava ás vezes de criar mentiras em papéis, escrevia, mas tinha dificuldades em me adaptar as personagens, elas se pareciam comigo, e me davam nojo, invariavelmente feias, algumas sem dentes, outras carecas, doentes, vesgas, sujas e com sérios distúrbios de caráter. Sempre moravam em casas escuras do centro da cidade, seja ela qual fosse, o céu era cinzento, o transito caótico, e elas só viam isso pela janela.
Os textos raramente preenchiam uma página, a maioria nem um guardanapo. Resolvi então ocupar meu tempo escrevendo sobre mim mesma, minhas memórias, meus anseios e frustrações, sonhos e realizações, talvez me renda alguns capítulos.
Díficil mesmo vai ser saber até que ponto eu não vivi uma história já contada me fazendo ser uma personagem, não sei, talvez de algo que tenha sonhado, ou algum filme que tenha visto. Como distinguir realidade de imaginação?! O que é real? Como defini-lo?!
É, talvez as coisas não sejam tão simples como parece, vou tomar um café.
Nenhum comentário:
Postar um comentário