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25 fevereiro, 2010

Se não me engano, o ano era 1997. Bill Cliton assumia pela segunda vez a presidência dos Estados Unidos. Aqui na Brasil, a vida continuava a mesma. Era fevereiro, e eu  - assim como o resto do país - me encontrava numa efusividade por conta do carnaval que anunciava sua chegada, alguns foliões já aguardavam nas ruas com suas cachaças e suas serpentinas. Eu não sabia ao certo o que faria naquele ano, e a dúvida culminava minhas expectativas: Acabei indo para o interior de Minas, reencontrar minha namorada. Esses carnavais de rua, ainda mais em cidade de interior, são sempre divertidos. E bom, carnaval.... bebida, risada e um certo descontrole nas palavras. Eu bebia como se a vida me implorasse mais um gole, como se o fim anunciasse sua chegada ao final daquela garrafa de vodka, a felicidade alheia era misturada a doses extras de alcool, e eu me divertia assistindo aquela pintura em aquarela, coloridos e derretidos, quase que uma cena abstrata. Vozes me anunciavam que eu não podia estar ali, ou que ali não era o meu lugar, que todos ali, inclusive aquela senhora da ala"velha-guarda" me rejeitavam, falavam mal de mim, me apulhalavam.. e eu questionava: "Mas logo no carnaval?" -"Sim, logo no carnaval, a podridão está em você independentemente da época do ano." Eu não podia entender muito bem o que me falavam, o barulho do son externo era alto, o que fez com que gritassem comigo, repetidas vezes, a mesma coisa. Minha cabeça era um campo minado.
No desespero, lembro de alguém me recomendando:
-toma um café, porque sua vida acabou faz tempo!

2 comentários:

  1. Eita, Gabi, minha querida! Está cada vez mais afiada com as palavras. Belo texto.
    Talvez estranhamente, acabei me lembrando do personagem de Nicolas Cage em "Despedida em Las Vegas". Algo solene, real e triste.

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