Se não me engano, o ano era 1997. Bill Cliton assumia pela segunda vez a presidência dos Estados Unidos. Aqui na Brasil, a vida continuava a mesma. Era fevereiro, e eu - assim como o resto do país - me encontrava numa efusividade por conta do carnaval que anunciava sua chegada, alguns foliões já aguardavam nas ruas com suas cachaças e suas serpentinas. Eu não sabia ao certo o que faria naquele ano, e a dúvida culminava minhas expectativas: Acabei indo para o interior de Minas, reencontrar minha namorada. Esses carnavais de rua, ainda mais em cidade de interior, são sempre divertidos. E bom, carnaval.... bebida, risada e um certo descontrole nas palavras. Eu bebia como se a vida me implorasse mais um gole, como se o fim anunciasse sua chegada ao final daquela garrafa de vodka, a felicidade alheia era misturada a doses extras de alcool, e eu me divertia assistindo aquela pintura em aquarela, coloridos e derretidos, quase que uma cena abstrata. Vozes me anunciavam que eu não podia estar ali, ou que ali não era o meu lugar, que todos ali, inclusive aquela senhora da ala"velha-guarda" me rejeitavam, falavam mal de mim, me apulhalavam.. e eu questionava: "Mas logo no carnaval?" -"Sim, logo no carnaval, a podridão está em você independentemente da época do ano." Eu não podia entender muito bem o que me falavam, o barulho do son externo era alto, o que fez com que gritassem comigo, repetidas vezes, a mesma coisa. Minha cabeça era um campo minado.
No desespero, lembro de alguém me recomendando:
-toma um café, porque sua vida acabou faz tempo!
Lindo texto!
ResponderExcluirEita, Gabi, minha querida! Está cada vez mais afiada com as palavras. Belo texto.
ResponderExcluirTalvez estranhamente, acabei me lembrando do personagem de Nicolas Cage em "Despedida em Las Vegas". Algo solene, real e triste.