Querido, Mateus
Tudo bom com você?! Estou lhe escrevendo, pois primeiro, você merece saber que eu não estou tão bem assim. Você partiu sem ao menos se despedir, e cadê aquela consideração que você dizia que sentia por mim?! Hoje, faz exatamente um mês que durmo sozinho, e antes de mais nada, saiba você que só durmo sob efeito de remédios ou alcool, minha vida tomou um rumo que eu não sei ao certo explicar. Suas coisas ainda estão aqui, aquela sua gravata ainda continua suja esperando você chegar para limpá-la, para limpar tudo, inclusive essa dor que carrego. Cadê você, seu cretino sonhador?! Fico me perguntando, e quase enlouqueco por não ter uma resposta. Será que você se lembra da última vez que nos vimos?! Como foi bom, meu querido! Você deitou no meu colo e me contou sobre seus sonhos de criança, eu acariciava seu cabelo, e te olhava pensando: "Porra, como eu o amo". É, gostaria que você soubesse que ainda o amo, e sempre vou amar. Você chegou como quem não quer nada, e no nada, se fez o tudo. E agora, sem você, eu me pergunto: "O que será?" - Será que você vai voltar?! Será que ainda nos encontraremos?! E no meu otimismo gosto de acreditar que você foi viajar para um lugar incrivel e que vai a qualquer bater em minha porta e me contar, entre vinhos e afetos, todas suas novidades. Eu tenho recriado histórias para a sua ausência, ainda não aceito a realidade, não aceito a sua perda. É engraçado, sabe porque?! Por que ao mesmo tempo que me sufoco de tantos questionamentos existenciais sobre a vida, que sofro com a sua ausência, me reconforto, porque antes que você pudesse ir, nos trocamos confidencias e você me disse tocando meu rosto e olhando minha face, que eu seria o único, que eu estava em seu coração, e que me amava tanto. E nos beijamos, e eu o senti. E nos sentimos. Eu sei que você não vai voltar, e eu sei que você está em um lugar mais bonito e cheio de cerveja gelada, do jeito que você gosta. É, eu sei. Mas eu sinto sua falta, e vou sempre sentir. Suas cinzas foram jogadas ao vento, para liberdade, para o sopro, para o vento, para o além, mas você continua aqui, dentro de mim.
Fernando.
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