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12 junho, 2011

Ouvi dizer que hoje tem uma festa na cidade, na verdade, hoje, é o melhor que eu vou arranjar para fazer. Nada acontece de diferente por aqui, sabe?! Cansei-me um pouco dessas festas universitárias regadas a maconha, cachaça com mel e mulheres bêbadas. Vez quando é legal, tomo todas, o mundo gira durante vários instantes, como uma ou duas bucetas, e dependendo da noite rola até mais que três. Não sei nem como meu pau sobreviveu a tanto buraco mal lavado. Sem ofensas, garotas, mas vocês não sabem o que minha cabeça já viu por aí. De qualquer maneira, eu ia dizendo do que tem de bom para hoje. Eu não sei se tenho cabeça para fazer o de sempre, para esse desbunde, para as festividades carnais. Andei pensando na vida, e quando eu penso na vida, meu amigo, ah, eu fico de veras reflexivo. Andei pensando sobre o niliismo de Nietzsche, nessa negação da vida e do mundo, e assim, cogitei sobre o valor dos meus valores. Andei meio paranóico, fiquei numa baixa, sem ânimo. Andei me julgando pelas minhas atitudes incontáveis e impensadas, e lembrei, sem querer, da minha primeira namorada, aquela menina de cabelos cacheados que me cuidava quando eu caia bêbado sob seu colo, é, como sempre, e como todas as mulheres que tive certo envolvimento, não agüentaram minha brutalidade um tanto quanto marginal, me deixaram entre meio copos e cigarros. Eu não tenho orgulho de minha vida e o mais engraçado é a contradição disso tudo, por que ao mesmo tempo em que odeio a vida que levo, me orgulho de ser quem sou. Sobrevivo a mim mesmo todos os dias, à minha maneira, têm gente que ao invés de beber, se veste de terno e gravata. Sou feliz por só ter essa camisa branca com furos de cigarro, manchas de vinho, vômito e lembranças. Meu pai vive me escrevendo dizendo que eu não vou dar em nada, para procurar algo melhor para fazer. Eu não respondo nada, só digo que estou feliz. Tem coisa mais legal do que ser feliz?! Tem sim, ser feliz em dobro. Eu sou intenso, por que eu busco essa felicidade em dobro, triplo, quádruplo... Mesmo que seja por pequenos segundos, instantes de felicidade, momentos, e seja de que maneira for. Eu comecei o texto dizendo sobre a festa que vai rolar aqui na cidade, né?! Acabei me perdendo aqui nos pensamentos, pois bem, vai ter uma festa por aqui, cheia dessas coisas sujas e insanas da vida, mulher, conhaque, cocaína, amigos, maconha, insanidade e música boa. Eu minto pra mim mesmo, mas não quero mentir para vocês: hoje eu vou dar uma passada por lá, encontrar Bukoswki, dançar a valsa do malandro e procurar algum indício de sorriso que eu possa encontrar minha dose dupla de felicidade. Se quiser me encontrar, é como disse mais cedo: Estarei de branco, com alguma blusa cheia de histórias.

Um comentário:

  1. impliquei com você e gosto de terno e gravata, mas seu texto é lindo.

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