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19 outubro, 2011

Depois de passar quase a vida inteira se martirizando e sofrendo pelos cantos do seu apartamento, resolveu que faria alguma coisa hoje. Só hoje, ele levantou mais cedo, preparou um café, sentou na varanda, acendeu um cigarro e apreciou o pouco calor do sol de outono. Tragava com certa lentidão, sentia o peso do monoxido de carbono pelo seu pulmão, passava, repassava e saia pela boca, na mesma lentidão que havia entrado. Procurou pela avenida de frente à sua casa algum motivo para dar algumas risadas. Não havia. Entrou em casa, procurou algo parar faze: Ligou a TV -  o noticiario anunciava mais um caso de morte por motivo de embriaguez no trânsito - Não se comoveu. Andando pelo apartamento, foi em busca de algum motivo para fazer alguma coisa, procurou, procurou, e só encontrou lembranças. E mais uma vez, ele fracassava e se dirigia para o canto, aos prantos, a única força que tinha era para erguer a mão ao nariz e limpar as secreções de catarro por excesso de pranto. E assim, ele ia dormir prometendo que amanhã, ele faria alguma coisa. Só amanhã.

Um comentário:

  1. Narrativas bem construídas. Gostei. Escreve mais e sobre tudo. Beijo. Alex Santana

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