18 outubro, 2009
Anotações soltas sobre a mesa, cinzeiros cheios, copos vazios e este guardanapo de papel onde anotei frases sobre o amor e Deus, com uma frase que tenho medo de decifrar e talvez, afinal, diga apenas qualquer coisa simples feito: nada disso existe. Nada, nada disso existe. Então quase vomito e choro e sangro quando penso assim. Mas respiro fundo, e quase que sem forças levanto a mão para o garçom, fazendo o sinal de um com o dedo, implorando por mais uma dose daquele uísque barato que me empobrecia cada vez mais; não só a carteira, aliás, junto com o dinheiro ia também o meu poder de me manter erguido, a cada gole, descia na minha garganta a pressão do dia, as dores, mágoas e ressentimentos que ela tinha deixado. Pensativo, eu tentava procurar uma maneira de não me desesperar, de buscar meios que ocupassem minha cabeça, uma maneira qualquer de esquecer, e continuar vivendo, assim... mas mesmo procurando essas formas, eu me lembrava, e então, me desesperava. O cheiro dela ainda se mantinha presente, eu poderia imaginá-la fazendo um ligeiro esforço, ou quase nenhum, ela simplesmente aparecia nos meus pensamentos, falando daquele jeito impotente, e me contando sempre o que o seu patrão tinha feito, era sempre uma novidade, e eu me divertia com isso, achava graça na maneira que ela o imitava, é... ela gostava de imitar, trazia com ela sempre um personagem, sempre um conto de fadas, e na minhas incertezas e inseguranças eu tentava descobrir quem eu poderia ser naquela história toda, meu papel talvez fosse de apenas cenário, só pra preencher espaço, mas talvez fosse o mocinho, como também poderia ser o vilão; o que, confesso, não é nada ruim. Nunca consegui alcançar as minhas espectativas, não com ela. Tampouco comigo mesmo. Sou um fracassado, sozinho, bêbado e uso a mesma blusa há três dias. Estou fedendo, e não sei destinguir os odores, se é suor, se é cachaça, perfume barato ou uma mistura de tudo isso com uma colher de dor, uma dor tão grande, que me fez ter a necessidade de dar um stop, parar o vídeo, o filme. Preciso preparar mais pipocas.
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mt bom!
ResponderExcluiré autobiográfico?
beijoca